Afinal, roupa tem gênero? | @Raphaelcs

O “genderless clothing” ganha cada vez mais força no mundo da moda e quebra paradigmas antes impostos pela separação do vestuário em gêneros

 

Em uma era de grande debate sobre identidade de gênero, o mundo da moda embarca na discussão, levando diversas marcas à lançarem tendência com a criação de roupas sem este tipo de definição – ou o incentivo à utilização de peças de vestuário masculino em composições femininas e vice-versa.

É claro que a modelagem de roupas masculinas e femininas seguem um padrão corporal baseado nas curvas de cada gênero. Mas aí é que está. Nosso tempo é de liberdade e aceitação, inclusive, de suas curvas como são e não como deveriam ser moldadas. Pessoas (não homens ou mulheres, apenas pessoas), vêm em diferentes tamanhos e formas. Não dá para padronizar o que a própria natureza faz de forma tão variada.

Eu mesmo, homem, já comprei diversas peças de roupa na sessão feminina por se encaixarem bem na composição de um “look” que decidi usar. O que isso diz sobre mim? Que minha identidade de gênero não é bem definida? Não. Eu apenas vejo peças de roupa de forma genérica e não da forma que as lojas que separam por gênero me obrigam a ver.

Nos anos 20, com a revolução feminina, por exemplo, começou-se a notar o uso de roupas masculinas por mulheres. Uma forma de protesto, sem deixar de esbanjar estilo. A verdade é que existem mulheres que, desde a época citada acima, usam roupas ditas masculinas por serem mais confortáveis também. A grande revolução veio quando homens começaram e encaixar peças do vestuário feminino em seu guarda roupas. Repararam? Lá pelos anos 70, diversos homens de influência, formadores de opinião, de David Bowie à Ney Matogrosso, levantaram a bandeira da liberdade, quebrando paradigmas sociais, como uma forma de expressão artística. E até hoje vemos seu legado, principalmente entre o público mais liberal e alternativo.

 

Mais para os dias atuais, temos o ator Jaden Smith, filho de Will Smith, que lançou sua coleção de roupas sem gênero há dois anos atrás e não parou por aí. De lá para cá, vem estrelando diversas campanhas que incentivam o fim do gênero em roupas, chegando até a protagonizar uma campanha de roupas femininas da Louis Vuitton.

Sim, ele foi bastante criticado e ainda é. Apesar disso, representa o ideal de liberdade do qual tanto se fala pelo simples fato de enxergar roupas, seja de que marca forem, como peças à serem usadas por pessoas, não homens ou mulheres apenas.

A forma retrógrada de encarar o genderless clothing, a moda sem gênero, de forma negativa é, infelizmente, a raiz machista que vem do nosso histórico social. Porém, este é um ponto de vista cada vez mais decadente e, com sorte, eventualmente extinto. Ainda há quem resista, claro, mas se até hoje resistem à igualdade racial (que nunca deveria nem ao menos ter sido questionada), imagine com o vestuário. O que nos resta é vestir o que bem entendermos, defender nosso estilo próprio e viver de acordo com o que acreditamos, não com o que nos fizeram acreditar.

Por hoje, é só. O que acham? Quais suas considerações sobre o tema? Mandem pra gente!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s